quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Relato de viagem: Travessia entre Petrópolis - Teresópolis

Este post é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez passou um final de semana em Petrópolis e depois fez a travessia entre Petrópolis - Teresópolis a pé. Esperamos que gostem deste relato!

Acordei com o dia ainda escuro. Segunda-feira. Coisa raríssima em dias normais de trabalho. Mas eu estava de férias e isso, sabemos, faz milagres! Não é? Tinha passado o final de semana em Petrópolis (leia o relato aqui). Havia chovido sem parar desde o dia anterior. E ainda chovia. A previsão era que a chuva parasse, mas não estava com cara de que isso iria acontecer. De qualquer forma, o plano era ao menos ir até a portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e ver se os guardas nos deixariam entrar.

Pegamos o ônibus no Terminal Central de Petrópolis até o Terminal de Correias. E de lá um ônibus até o bairro do Pinheiral. Segundo o recepcionista do hostel, saberíamos que estaríamos próximos ao parque quando avistássemos plantações de alface em colinas de mais de 30º de inclinação o que, afirmava ele, era bastante surpreendente para plantações de alfaces. As alfaces realmente estavam lá, devidamente inclinadas, e às 7h30 preenchi a papelada na portaria. Faríamos a travessia de mais ou menos 30 km em 3 dias, e se tudo desse certo, estaríamos em Teresópolis na quarta-feira a tarde para o café.

A Travessia Petrópolis-Teresópolis é uma das caminhadas mais clássicas do Brasil. E na minha opinião, uma das mais bonitas. Em 2008, eu já havia percorrido (com tempo aberto e com um grupo de bons montanhistas) essa mesma trilha. Mas não me lembrava de muita coisa. Cheguei a ler alguns relatos que diziam ser imprescindível a contratação de um guia, que era muito difícil sem um GPS, que muitos se perdiam por lá, que era difícil a navegação, com a típica e constante neblina da serra. Quanto mais eu lia, mas eu queria me perder por lá! Eu queria ser o guia, queria chuva, queria neblina e queria toda essa dificuldade. Um desejo incompreensível para muitos, mas uma terapia pra mim. Realmente não é fácil e não se deve subestimar. Mas dois amigos incautos compraram a ideia e estava formada a “equipe”. Por precaução, arrumei um mapa aceitável, bússola e o guia de trilhas do Guilherme Cavallari (que ajudou e recomendo bastante, apesar de uma ou outra das bifurcações citadas não existirem mais).



Também fiz reserva para dormir nos abrigos do parque, para não ter que carregar barraca e isolante térmico. Quando fiz a travessia da primeira vez, o Abrigo do Açú não existia, e o Abrigo do Sino, estava interditado. Os abrigos agora tinham “cozinha completa”, como diz no site PARNASO, mas não especifica se é uma cozinha Masterchef ou uma cozinha das cavernas. Na dúvida, levei panela, fogareiro e talheres desnecessariamente (ou quase, pois acabei usando).

Logo nos primeiros minutos de trilha, saímos dela e pegamos a trilha para a cachoeira Véu de Noiva, que eu não conhecia. Um desvio de cerca de 1h, ida e volta, que vale pelo visual, mas que parecia repelentemente fria para um mergulho matinal.

Esse primeiro dia de caminhada é basicamente uma ascensão dos 1.100 m da portaria até os 2.245 m dos Castelos do Açú. Um subidão que faz você pensar nas suas escolhas, no sentido da vida, nos dias que você teve preguiça de se manter em forma.

Mas descontando as paradas e desvios, foram três horas e meia por 7 km de caminhada até o Abrigo do Açú. O Abrigo do Açú é uma casa com uma cozinha, 2 quartos com beliches, e um sótão para bivaques. Supostamente também alugariam barracas, mas tinham todas sido destruídas pela chuva do dia anterior.



Chegamos às 13h30, onde fomos muito bem recepcionados pelo guarda Sidnei. O Sidnei também estava abrigando um grupo de 6 pessoas que haviam se perdido no dia anterior, dormido na chuva e resgatados pela manhã. Haviam problemas com a bomba de água, impossibilitando banhos, economia de gás e problemas com a troca da guarda. O camarada que deveria substituir o Sidnei não apareceu, e ele ficaria mais dias do que o programado. Os guardas passam alguns dias lá, sem voltar pra casa, e abastecem o abrigo com o que conseguem carregar nas costas (inclusive o botijão de gás!). Não achei muito legal a forma como a administração do parque conduz a logística e manutenção dos abrigos, nem a relação com os funcionários. Na próxima, levo minha barraca e me abstenho de participar desse sistema.


Depois de jantar, cansado, dormi antes das 21h30 e acordei para o nascer do Sol. Prometia um dia lindo. Só que não.

A caminhada no segundo dia é um sobe e desce sem fim pela serra, sentido Pedra do Sino. Logo no primeiro morro, a neblina veio e o dia promissor passou a ser branco. A aclamada vista da Serra dos Órgãos estaria oculta pelas nuvens. Uma selfie ali, ou uma selfie em casa com um lençol branco de fundo, ficaria igual.

Mas com a neblina, veio o desafio da orientação, entre as subidas e descidas por lajes de pedra, com pouca ou nenhuma sinalização e trechos expostos.

Nesse segundo dia apresentam-se os principais “obstáculos” da caminhada: o Elevador e o Cavalinho. O primeiro uma longa escada de vergalhões cimentados na rocha morro acima. Dá uma certa palpitação, mas não chega a ser traumático. E o segundo uma "escalaminhada" exposta, com um penhasco do lado. Subi primeiro e depois fizemos um sistema para subir as mochilas por corda, minimizando a paúra. Divertido, mas que exige um certo cuidado.

Passados os obstáculos sem maiores percalços, chegamos ao abrigo do Sino por volta das 13h30. Dessa vez fomos recebidos pelo guarda Ricardo, que nos ensinou a jogar Sueca (um jogo de cartas popular no Rio de Janeiro) e nos surpreendeu com seus truques de mágicas com baralho.




Por volta das 2h da manhã, acordei com um barulho inesquecível (veja relato sobre Torres del Paine), em meio às mochilas. Um ratinho vasculhava as coisas, abriu uma caixa de suco de laranja, comeu algumas castanhas, e se atreveu a mordiscar meu pacotinho de Gummy Bears. Aí foi a gota d’água! Levantei, virei a mochila do avesso e parti na captura do meliante. Era hora de estrear uma headlamp nova, recém comprada, e cegar o bicho com os potentes 170 lúmens emitidos pelos 4 leds de máxima tecnologia. Ou não… Liguei a lanterna e nada. Troquei as pilhas e nada. Tentei voltar a dormir, mas o rato começou a rir da minha cara. A equipe acordou e nos colocamos à caça! Depois de 1h vasculhando tudo, o rato fugiu triunfante e tivemos que nos resignar aos nossos sacos de dormir. No dia seguinte, fizemos café e arrumamos as coisas enquanto o guarda Ricardo nos informava que o Marshmallow era o roedor de estimação da casa e estava habituado a brincar com as visitas de madrugada.


O terceiro dia é só descida. Começou com neblina de novo. Tinha geado à noite e a grama estava coberta de gelo. Mas logo ao entrarmos na encosta com vista para Teresópolis, o sol apareceu esquentando tudo. Chegamos rápido na saída da Travessia, antes do meio-dia. Missão cumprida. Nos parabenizamos tão efusivamente quanto as dores nos joelhos nos permitiam, mas tinha ficado uma leve frustração de não ter visto muita coisa.



A caminho para a saída do parque, passamos pela entrada da trilha do Mirante. Estava ensolarado, sem neblina e a placa indicava 1h de subida.



Valia um último esforço para ver o que não tínhamos visto. Para tirar aquela foto de cartão-postal da Serra dos Órgãos, com o Escalavrado, o Dedo de Nossa Senhora, o Dedo de Deus, a Cabeça do Peixe e todos os “tubos do órgão” que dá nome à serra. Logo no começo da subida, um transeunte me informou que estava tudo claro e visível lá em cima. Cheguei 40 minutos depois no cume.




Ou o cara me sacaneou, ou ligaram a máquina de neblina no máximo. Não se via nada. Gastei uns 20 minutos de esperança, e desci, chateado. A chateação só durou até eu tomar uma coca-cola gelada. Tinha sido uma ótima caminhada afinal. Tinha realizado o que eu queria e tudo tinha dado certo. A neblina que encobriu tudo, no fim, vai me servir de pretexto para voltar outra vez. Cada vez uma experiência diferente. E a experiência é o que vale.

Finalizamos com um café supimpa no Café São Telmo, e voltamos dormindo para São Paulo.

P.S.: Gostaria de deixar registrado aqui os meus mais sinceros agradecimentos ao pessoal do SESC Teresópolis pela gentileza de nos permitir tomar um banho quente, gratuitamente, depois de 3 dias de caminhada!


James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar para onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Final de semana Imperial em Petrópolis - Rio de Janeiro

Este post é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez passou um final de semana em Petrópolis - RJ. Esperamos que gostem deste relato!

Apesar de gostar muito de História, a do Brasil sempre me pareceu enfadonha durante os estudos acadêmicos. Talvez porque "Os Lusíadas" fosse uma leitura obrigatória traumatizante demais para uma criança. Ou talvez porque a história de um rei que veio para o Brasil fugido e com os bolsos cheios de coxas de frango não fosse muito empolgante. Ainda bem que a gente cresce, muda e passa a ver as coisas de outra maneira. E ainda bem que a fase acadêmica passa e a gente consegue tempo pra ler e se interessar por outras coisas, sem a obrigação de passar na prova depois.

Em meados de 2012, depois de um ano e meio na Europa, peguei um vôo de volta ao Brasil com uma conexão de uma tarde e noite em Lisboa. Ali reencontrava parcas lembranças das aulas de História. Mas como já estava um pouco cansado do Renascimento, das espadas e das guerras, voltei e, superando os traumas da infância, fui estudar a História do Brasil. Confesso que meus estudos se confundem entre os livros do Laurentino Gomes (1808 e 1822), o que aprendi na escola e "Independência ou Mortos" (livro que coloca nosso amigo Dom Pedro defendendo a pátria contra uma infestação de mortos-vivos). Então não vou entrar muito em detalhes históricos aqui.



Mas falando de Petrópolis...

Saí de São Paulo, de ônibus, às 23h de uma sexta-feira. Não notei a presença de uma criança no banco de trás, mas não tardou para que ela se apresentasse aos gritos para toda a humanidade que só queria dormir tranquilamente até chegar Petrópolis às 6h30 do dia seguinte. Seus gritos por "mamãe" e a inépcia de sua genitora sentada ao lado, teriam abafado até o brado retumbante da independência!

Da rodoviária fui direto ao hostel. Larguei a mochila (estava com uma mochila grande, que seria usada em uma caminhada depois, e que você pode ler aqui), dei as costas para a cama e o travesseiro que sussurravam baixinho o meu nome, e fui aproveitar o dia.

Petrópolis fica na região serrana do Rio de Janeiro, tem um clima mais ameno, e é a sexta cidade mais segura do Brasil. Era o lugar preferido do Dom Pedro II para dar aquela relaxada imperial, e virava a capital do império durante o verão. Andando pela cidade, bastante conservada, várias casas tem placas que contam um pouco sobre quem morava ali.



Fui direto para o Museu Imperial, mas só pude visitar o jardim, projetado por Jean Baptiste Binot em 1854. Ainda eram 9h e só abriria às 11h. Tirei uma foto com a família Imperial e fui para a Catedral de São Pedro de Alcântara.



Só o que eu sabia sobre a Catedral era uma passagem no livro do Eduardo Spohr, A Batalha do Apocalipse, mas surpreendentemente me deparei com uma bela igreja neogótica, e com os túmulos dedicados a Dom Pedro II (ou parte dele), Dona Teresa Cristina (a imperatriz), Dona Isabel de Bragança (a princesa) e o conde D’Eu.


De lá, fui conhecer outro local historicamente importante: A Encantada, a casa do Santos Dumont, que eu só conhecia dos desenhos do Spacca, na Graphic Novel Santô e os pais da aviação. É uma construção simples, com pouquíssimos itens, mas interessante. Lá também tem uma sala de projeção onde é exibido um pequeno documentário sobre a vida e obra desse nosso compatriota tão extraordinário. Vale uma rápida visita.

Já havia tomado um café na rodoviária, outro no hostel e mais um no café da casa do Santos Dumont. Mas haviam recomendado fortemente que eu experimentasse as delícias da Casa de Chocolates Katz, que ficava logo em frente. Então lá foi mais um café, um strudel de maçã e um chocolatinho para dar tempo do museu abrir.

Voltei ao Museu e fui surpreendido com o cuidado e o bom acervo que tem lá. É obrigatório calçar pantufas para não prejudicar o piso de madeira, o que torna a visita mais divertida se você gostar de patinação ou ski.


O Museu é um prédio Neoclássico construído a mando de Dom Pedro II para ser sua residência de verão. Ficou pronto em 1862, virou escola durante o começo da República, quando a família real precisou dar no pé, e o Getúlio transformou em museu em 1940.

Tem muita coisa interessante para quem gosta um pouco de História, mas tem muito mais para quem quer se aprofundar. Além de mobiliário da época do império, de utensílios, de roupas, medalhas, moedas, enfeites etc., tem uma biblioteca com mais de 50 mil volumes e mais de 250 mil documentos históricos. Almocei no restaurante do museu, tentando digerir toda aquela informação que não me interessou na escola.


Logo depois, fui conhecer a Cervejaria Bohêmia, onde pude visitar a fábrica e conhecer a história da cerveja, o processo de fabricação e tudo mais. Passeio que fala bastante da colonização alemã na região, o que explica a apresentação de dança alemã que estava acontecendo no Palácio de Cristal, por onde passei a caminho da cervejaria.


Depois da cervejaria, voltei ao Museu Imperial. Lá seguimos um lanceiro do Império que nos guia pelo jardim. A História do Museu e do Império é narrada através de luz e som durante a caminhada, conduzindo-nos até vermos um filme projetado nas janelas e na fonte do jardim. Tem até o Sérgio Mamberti (Dr. Vítor) fazendo o Barão do Bom Retiro, amigo pessoal do Pedrão II.


No dia seguinte, domingo, fui conhecer o Palácio Quitandinha. Foi construído em 1941 para ser o maior cassino e hotel da América Latina. Por fora tem um visual alemão. Por dentro tem uma cara vintage americana (graças à decoradora e cenógrafa norte-americana Dorathy Draper). Hoje funciona um SESC lá. E durante minha passagem por lá, ocorria o Festival de Música, além de exposições diversas. Nessa edificação também pode-se visitar a segunda maior cúpula do mundo! Só perde para a da Catedral de São Pedro em Roma!




Em frente ao Quitandinha, há um jardim, o Lago Sul e o Restaurante Lago Sul, que é fortemente recomendado pelos nativos locais, cujo o rodízio de carnes e acepipes no almoço me fez rolar vagarosamente até o ônibus de volta ao centro de Petrópolis.



Ainda tive disposição de visitar a Casa da Ipiranga. Onde o Celso Carvalho, bisneto de José Tavares Guerra, idealizador da casa, apresenta sua história. A casa, também conhecida como A Casa dos 7 Erros, foi construída em 1884, em estilo Vitoriano e hoje funciona como museu e centro cultural.



Na cocheira da casa, funciona o Restaurante Bourdeax, onde tomei o último café do fim de semana. Um café para celebrar o café, que aqueceu as manhãs de toda essa nossa História.


James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar para onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Roteiro: o que fazer em Gent (Bélgica)


Gent (ou Ghent) é uma simpática cidadezinha belga com ares medievais próxima de Bruxelas que merece ser visitada. Hoje ela é chamada de "cidadezinha", mas no passado (entre o ano de 1000 e 1550), ela foi uma das cidades mais importantes da Europa, maior até que Londres!

Conhecer Gent (e também Bruges), é uma passagem praticamente obrigatória no roteiro de quem está visitando Bruxelas. Como a cidade é pequena e fica a menos de 1 hora de viagem de Bruxelas, a maioria das pessoas que visita a cidade fazem bate-volta.

Como chegar
O jeito mais fácil de se chegar é indo de trem. Os trens partem mais ou menos a cada 30 minutos das principais estações de trem de Bruxelas, e o trajeto até lá leva aproximadamente 50 minutos. O centro de Gent é um pouco distante das estações de trem, por volta de 1,5 km de distância, então desça na estação Gent-Sint-Pieter e pegue um tram (espécie de bonde elétrico) até o centro se você não quiser ir andando. Se você não se importar em caminhar (em torno de 20 minutos), desça na estação Gent-Dampoort. Mas lembre-se em ter um mapa com você, pois o trajeto não é muito bem sinalizado.

O que fazer
Em 1 dia dá pra conhecer todos os principais pontos turísticos da cidade. A maioria das atrações turísticas fica concentrada no centro, e até as que estão mais distantes, não ficam tão longe quanto se pode imaginar.


Sint Niklaaskerk


A Sint Niklaaskerk (ou Igreja de Saint Nicholas) foi construída no século 13, e é um dos marcos mais antigos de Gent.


Belfort 

Fotos: Donarreiskoffer e Maros


O campanário, conhecido como Belfort (ou Belfry), é o simbolo da autonomia e independência da cidade. São 91 metros de altura e 366 degraus até o topo, mas todo esforço vale a pena. De lá é possível ter uma vista panorâmica da cidade.


Graslei e Korenlei


Graslei e Korenlei são 2 ruas que beiram o rio Leie. Graslei fica de um lado do rio, e Korelei do outro. A região era um antigo porto medieval, o principal da cidade, e hoje é uma das áreas mais bonitas de Gent. Nessa área se encontram vários restaurantes, bares, cafés e algumas lojinhas. Como dizem os locais, é o coração da cidade!


Sint-Michielsbrug



A Sint-Michielsbrug é uma ponte medieval que liga Graslei e Korenlei, e é daqui que se tem a melhor vista dos 2 lados. Aliás, na minha opinião, é a melhor vista de Gent! Dá uma olhada no 360º acima e tire as suas conclusões.


Het Gravensteen 


O Het Gravensteen (Castelo dos Condes) foi construído 1180. Já foi a casa da realeza, um tribunal e uma prisão. Foi restaurado em 1885 e hoje abriga o Museu da Tortura. Pode parecer pesado, mas o acervo é bem interessante: guilhotinas, armaduras, armas, instrumentos de tortura, enfim, tem um pouco de tudo. Além disso, do alto do castelo se tem uma vista panorâmica incrível da cidade.


Patershol 

Foto: visit.gent.be

Patershol é um bairro pitoresco nos arredores do castelo. São inúmeras vielas estreitas pedonais de paralelepípedo que permanecem do mesmo jeito desde o período medieval. A área está cheia de restaurantes, cafés e lojinhas.
 

Sint-Baafskathedraal + Adoração do Cordeiro Místico 

Foto: Mylius
 


A Sint-Baafskathedraal (ou Saint Bavo's Cathedral) é uma catedral gótica que abriga a famosa obra “Adoração do Cordeiro Místico”, dos irmãos Van Eyck. Com sua torre de 89 metros de altura, a catedral é um ícone da cidade.

Vale muito a pena reservar um dia para conhecer essa charmosa cidade medieval a menos de 60 km de Bruxelas, Não perca! 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Roteiro: Luxemburgo em 1 dia

Eu (Cecilia) e a Tati fomos em épocas diferentes do ano para Luxemburgo, mas a sensação foi a mesma: que-cidade-perfeita! Parece com uma maquete (já que podemos observar a cidade baixa do alto da cidade nova). O visual medieval de lá é diferente de tudo o que você já viu ou verá na Europa. Então sim, vale a pena incluir Luxemburgo no seu roteiro!



E se o país já é um dos menores do mundo, o que dirá sua capital. Por isso, 1 dia é suficiente para conhecer bem a cidade. Mas se você tem um dia sobrando, vale ficar 2 dias e fazer um bate-volta para Trier, na Alemanha, foi o que a Tati fez.

Curiosidade: apesar do francês, alemão e luxemburguês serem as línguas oficiais do país, não estranhe quando ouvir (frequentemente) a língua portuguesa na cidade. Isso porque muitos portugueses migraram para lá na década de 1960 atrás do "sonho luxemburguês", afinal o país tem a maior renda per capita do mundo.

Vamos viajar? :)


O que fazer em Luxemburgo


Palácio Grand Ducal



É a residência oficial do Grão-Duque de Luxemburgo. Não parece tanto um palácio (fica no meio da cidade) e a troca de guarda é praticamente na calçada. A troca não é pomposa como a do Palácio de Buckingham, mas é valido dar uma olhada.


Chocolate House



A Chocolate House é parada obrigatória para quem ama chocolate quente. A variedade é infinita, tanto de leite (leite integral, leite light, leite sem lactose, leite de soja etc.) e os chocolates a serem misturados também. Eles vêm nessa pá de sorvete e você mesmo mistura no seu leite quente. Este da foto tem uma ampolinha de conhaque. Consegue imaginar a delícia disso? Aproveite que estará em frente ao Palácio e assista à troca de guarda tomando seu chocolate.


Catedral de Notre-Dame de Luxemburgo



A Catedral de Notre-Dame foi construída no século XVI. A arquitetura em pedra e seu interior atrai muitos visitantes.


Praças: Place Guillaume, Place d’Armes e Place de la Constitution 

Créditos: Place Guillaume (Cayambe), Place d’Armes (Wikipedia) e Place de la Constitution

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São 3 praças principais na cidade. A Place Guillaume é onde fica a prefeitura e o centro de informações turísticas (vale passar por lá e pegar um mapa de graça), e também é famosa por sua feira livre (às quartas-feiras e aos sábados). A Place d’Armes é uma área cheia de restaurantes e lojas, e é onde fica o Palácio Municipal da cidade. É comum ver shows ao vivo por lá, e em dezembro acontece uma feirinha de Natal incrível. A Place de la Constitution é onde fica o famoso monumento da Gëlle Fra, que simboliza a liberdade e a resistência do povo luxemburguês durante a guerra. E daqui dessa praça se tem uma vista ótima da Pont Adolphe.


Casemates de Bock e Casemates de Pétrusse



O Castelo Bock é uma grande fortaleza onde os casemates, túneis subterrâneos que escondiam soldados, cavalos e mais, ainda sobrevivem. É dado um mapinha na entrada, o que é útil pois são incontáveis corredores/túneis escavados na pedra com várias ramificações, um verdadeiro labirinto. Tem alguns corredores que chegam a ficar bem apertados e úmidos, se você for claustrofóbico lembre-se disso!  Mas a parte mais legal são os vários buracos na lateral que dão vista para o lado de fora.
Já o Casemate de Pétrusse está temporariamente fechado, mas se quando você for estiver aberto, também é válido visitar, com suas cavernas, escadarias e vistas imperdíveis. Existe tour guiado para conhecer ainda mais as histórias das conhecidas casematas.


Le Grund - Centro Histórico (Patrimônio UNESCO) 



O ruim de pessoas que não sabem ler mapa (euzinha), não diferenciam a parte baixa e a parte alta, e aí se errar um caminho você vai andar muito, subir um morro praticamente. Então, prepare seu bom humor para possíveis erros nos seus planos. E Le Grund faz parte da cidade baixa/ centro histórico. Por lá você tem acesso ao Rio Alzette e a casas construídas em pedras. Tudo com um ar extremamente pitoresco e histórico. Possui dois restaurantes com estrela Michelin e também é famoso pela vida noturna, com bares e baladas.
DICA: Existem 2 lugares, de onde é possível ter aquela vista linda das casinhas de contos de fadas do bairro de Grund (visto na primeira foto do post): da sacada de Chemin de la Corniche e do Plateau du Saint Esprit. É bem fácil de encontrar esses lugares, existem plaquinhas indicando o caminho em todo o canto.


Biblioteca Nacional de Luxemburgo
A principal biblioteca do país de Luxemburgo fica em um prédio histórico. Guarda um acervo de mais de 1 milhão de documentos.


Ponte Adolfo (Pont Adolphe)
Com certeza é uma ponte que vai te chamar atenção pela arquitetura, altura e imponência. Atravessa o Rio Pétrusse e é considerado um símbolo não-oficial da independência de Luxemburgo. Você pode ter uma vista incrível para a ponte da sacada da Place de la Constitution.


COMO CHEGAR A LUXEMBURGO
Há uma Estação Central junto ao terminal de ônibus em Luxemburgo. Saí de Bruxelas de ônibus, apesar de ter comprado passagem de trem (vai entender). Mas a viagem é curta, por volta de 3 horas de trajeto. Também é possível ir de Paris para Luxemburgo, a viagem é mais curta ainda, e leva por volta de 2h20 de trem. Chegando lá, tem um grande posto de informação ao turista e eles são muito solícitos em ajudar. Eu perguntei como poderia chegar no meu Hostel, e o atendente riscou todo o mapa pra mim, fiquei mais segura para poder chegar lá de ônibus.


ONDE SE HOSPEDAR
Fiquei no Luxembourg City Youth Hostel, que é da rede de albergues mais famosa do mundo. Este é o único hostel  da cidade e é um modelo de hospedagem. Super bem estruturado, desde os quartos ao café da manhã. Apesar de ser chamado Albergue da Juventude, você pode também encontrar muitos idosos e crianças. Isso dá uma aura familiar e gostosa ao lugar.


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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Relato de Viagem: Caminhando no Circuito Vale Europeu Catarinense

O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez uma caminhada de 8 dias no Circuito Vale Europeu em Santa Catarina. Esperamos que gostem deste relato!

"Já tinha visitado algumas cidades de Santa Catarina por volta do fim dos anos 90. Foram viagens a trabalho, corridas. Não dava para dizer que eu conhecia a região realmente. Mas a vontade de voltar, com calma, e conhecer melhor a região, sempre esteve presente. A oportunidade aconteceu neste início de outono e foi uma viagem memorável, que só aumentou a vontade de voltar mais 437 vezes.
Peguei um voo de São Paulo até Joinville e passei o dia na cidade, comendo salsichas, apfelstrudel e me aclimatando para a caminhada que estava por vir. Visitei o Museu do Imigrante, vi as Palmeiras Centenárias, o Museu de Arte, o Cemitério do Imigrante e no fim do dia peguei um ônibus para Indaial.
Em Indaial dormi no Hotel Fink, que é o ponto de partida para quem percorre o circuito caminhando ou de bike. É ali que você pega o passaporte que será carimbado em todas as cidades por onde passar, e onde também pega o mapa do trajeto, dicas locais e ainda pode deixar alguma bagagem para pegar no final.
Imagem: circuitovaleeuropeu.com.br

Tomei um café da manhã reforçado e conheci um casal de senhores que fazia o circuito de bike. Tinham por volta de 70 anos, e eram produtores de laranja em Curitiba. Já serviu para deixar claro que não existem desculpas se você tem o principal: vontade.

Início do trajeto




Esse primeiro dia já começaria bastante puxado andando 27 km entre as cidades. O caminho todo é sinalizado por setas brancas, para os mochileiros, e setas amarelas, para os cicloturistas, que fazem um trajeto um pouco diferente, no sentido contrário.

No começo foram uns 6 ou 7 km andando pelas ruas de paralelepípedos da cidade de Indaial, seguido por um bom trecho de estradas de terra, entre casas de campo, sítios e pequenas vilas. Ao final do trecho de terra, 4 km antes do fim do trajeto do dia, entrei no Museu da Música de Timbó. Um museu pequeno, mas com um acervo bastante interessante de instrumentos musicais, vale a visita. Como o museu já estava fechando, ainda ganhei uma carona que me poupou de ter que andar o restante do trajeto pela rodovia.

Restaurante Thapioka


A caminhada do dia termina no restaurante Thapioka. Uma bela construção que fica sobre uma pequena represa, no centro da cidade. E que também é o ponto de início da caminhada no dia seguinte.


De Timbó para Pomerode a estrada de terra já tem um aspecto mais bucólico e várias casinhas antigas, de construção de madeira e algumas enxaimel, deixam mais evidente a colonização alemã da região. São 25 km de percurso com uma bela subida de 400 m que faz o coraçãozinho bater mais forte. Tanto pelo esforço quanto pela vista lá de cima.


Alguns pontos da estrada, já na descida para Pomerode, estavam sendo aplainados por máquinas e tratores. Tudo indica que a intenção é asfaltar ali, o que vai deixar o trajeto menos bonito. Uma pena :(

No fim da tarde cheguei a pousada Blauberg. Um lugar bem aconchegante e cheio de florais pintados nos móveis. Lembra bem as pousadinhas típicas da Bavária e te faz sentir um pouco na Alemanha. O jantar também foi típico alemão. Um belo de um marreco recheado, no restaurante Wunderwald.

Casa do imigrante Carl Wegge - Pomerode



No terceiro dia, foram pouco menos de 18 km caminhando. Saindo da "cidade mais alemã do Brasil” e chegando a Rio dos Cedros, onde o sotaque mudou completamente e o sangue italiano se enturmou rapidamente.

Sr. Mattedi, dono da pousada e restaurante que fiquei, quando soube que eu queria conhecer a Igreja de Nossa Senhora das Dores, prontamente ligou para a Sra. Íris, que me esperou na porta de sua casa com a chave na Igreja na mão. E lá fui eu conhecer uma igreja de mais de 100 anos de idade, sozinho.

Vi a estátua de 141 anos de Nossa Senhora Dolorata que foi trazida da França pelos primeiros imigrantes italianos. Vi a gruta de pedra que esses imigrantes reconstruíram quando mudaram a igreja de lugar. E fiquei besta com a solidariedade, a confiança e o respeito que ainda existe nas pequenas comunidades e que são cada vez mais raros nas grandes cidades.


Depois de devolver a chave da igreja ainda passei algumas horas ouvindo as histórias dos imigrantes e dos senhores locais no restaurante. Me senti em casa ouvindo parte da história da minha família e do meu país. Para mim, é isso que vale a pena em uma viagem. Não é o souvenir ou a foto, mas a experiência que se vive.

Mas ainda havia mais por vir. No quarto dia segui para Alto Benedito. Teriam sido 23 km de caminhada, mas em algum ponto depois do quilômetro 18 km, errei o caminho e andei 6Km na direção errada, por parte do caminho do dia seguinte. Acabei pedindo uma carona em uma lojinha de roupas para voltar para a pousada.

Não tinha muito o que ver em Alto Benedito, então dormi cedo e saí cedo para Doutor Pedrinho. Foram 26 km por uma estrada bem rural, passando por pequenas vilas e sítios, uma fábrica de queijos e igrejinhas. Em uma delas estava tendo um festival de costelas, e parecia que toda a cidade estava lá. Uma festa!


No sexto dia, outro engano. Foram 22 km debaixo de chuva e ainda teriam mais 8 km e um desnível de 800 m para chegar até o Campo do Zinco. Parei para comer um lanche em um ponto de ônibus em uma bifurcação. Os dois lados da bifurcação tinham setas brancas, e na dúvida, optei pelo lado que subia (se estivesse errado, seria mais fácil voltar descendo do que voltar subindo). E estava errado: 3 km a mais andando na chuva…


Por sorte, já de volta ao caminho certo, passaram a Margarethe e o Egon, proprietários da pousada do Campo do Zinco levando as malas e depois voltando para dar uma carona no trecho mais íngreme. Ainda prepararam um chá quente na chegada e uma sopa depois do banho.

Foto: Egon Koprowski


O Zinco é um trecho opcional para quem faz o circuito de bike. Mas para mim deveria ser obrigatório! É o lugar mais bonito de toda a região, e a pousada de lá é a mais acolhedora.

Antes de partirmos no dia seguinte, o Egon e a Margarethe ainda nos levaram para conhecer o mirante da Cachoeira do Zinco e nos dar um abraço de despedida.



Do Zinco até a bifurcação e depois até a cidade de Rodeio, foram 20 km de descida forte. Os joelhos gritavam alto, mas a paisagem distraía bem. Havia muitos jardins que provavelmente estarão bem floridos na primavera.

Na cidade de Rodeio, jantei no restaurante Caminetto e experimentei um excelente penne ao funghi. O restaurante não aceita cartões, mas o mais interessante é que aceita de boa fé que os clientes pegos de surpresa depositem o pagamento na conta depois. E segundo o garçom, nunca tomaram calote.

No oitavo dia, foram menos de 20 km por uma estrada de terra que acompanhava o rio de um lado e plantações de uvas do outro, de Rodeio a Apiúna, passando por Ascurra. Um trecho praticamente plano que foi bem agradável de caminhar e tirar fotos.


O circuito ainda prevê um nono dia: de Apiúna de volta até Indaial. Mas decidi terminar a caminhada aqui e seguir de ônibus de volta ao Hotel Fink.

O circuito é o resultado do esforço de pessoas como o Egon e a Margarethe, do Sr. Mattedi, da Dona Hilda, em Doutor Pedrinho, e de várias outras pessoas em promover o turismo na região. De conservar a cultura dos imigrantes, de cuidar e proteger a natureza e de difundir valores como respeito, honestidade, solidariedade, que me pareceram tão naturais no pensamento e tão simples nas atitudes dessas pessoas, e que estão cada dia mais raros por aí.

Além dos roteiros de cicloturismo e caminhada, existem outras rotas que podem ser do seu interesse para conhecer a região. Dá uma olhada que vale a pena. "
Saiba mais em circuitovaleeuropeu.com.br


James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar para onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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