terça-feira, 23 de agosto de 2016

Roteiro: o que fazer em Gent (Bélgica)


Gent (ou Ghent) é uma simpática cidadezinha belga com ares medievais próxima de Bruxelas que merece ser visitada. Hoje ela é chamada de "cidadezinha", mas no passado (entre o ano de 1000 e 1550), ela foi uma das cidades mais importantes da Europa, maior até que Londres!

Conhecer Gent (e também Bruges), é uma passagem praticamente obrigatória no roteiro de quem está visitando Bruxelas. Como a cidade é pequena e fica a menos de 1 hora de viagem de Bruxelas, a maioria das pessoas que visita a cidade fazem bate-volta.

Como chegar
O jeito mais fácil de se chegar é indo de trem. Os trens partem mais ou menos a cada 30 minutos das principais estações de trem de Bruxelas, e o trajeto até lá leva aproximadamente 50 minutos. O centro de Gent é um pouco distante das estações de trem, por volta de 1,5 km de distância, então desça na estação Gent-Sint-Pieter e pegue um tram (espécie de bonde elétrico) até o centro se você não quiser ir andando. Se você não se importar em caminhar (em torno de 20 minutos), desça na estação Gent-Dampoort. Mas lembre-se em ter um mapa com você, pois o trajeto não é muito bem sinalizado.

O que fazer
Em 1 dia dá pra conhecer todos os principais pontos turísticos da cidade. A maioria das atrações turísticas fica concentrada no centro, e até as que estão mais distantes, não ficam tão longe quanto se pode imaginar.


Sint Niklaaskerk


A Sint Niklaaskerk (ou Igreja de Saint Nicholas) foi construída no século 13, e é um dos marcos mais antigos de Gent.


Belfort 

Fotos: Donarreiskoffer e Maros


O campanário, conhecido como Belfort (ou Belfry), é o simbolo da autonomia e independência da cidade. São 91 metros de altura e 366 degraus até o topo, mas todo esforço vale a pena. De lá é possível ter uma vista panorâmica da cidade.


Graslei e Korenlei


Graslei e Korenlei são 2 ruas que beiram o rio Leie. Graslei fica de um lado do rio, e Korelei do outro. A região era um antigo porto medieval, o principal da cidade, e hoje é uma das áreas mais bonitas de Gent. Nessa área se encontram vários restaurantes, bares, cafés e algumas lojinhas. Como dizem os locais, é o coração da cidade!


Sint-Michielsbrug



A Sint-Michielsbrug é uma ponte medieval que liga Graslei e Korenlei, e é daqui que se tem a melhor vista dos 2 lados. Aliás, na minha opinião, é a melhor vista de Gent! Dá uma olhada no 360º acima e tire as suas conclusões.


Het Gravensteen 


O Het Gravensteen (Castelo dos Condes) foi construído 1180. Já foi a casa da realeza, um tribunal e uma prisão. Foi restaurado em 1885 e hoje abriga o Museu da Tortura. Pode parecer pesado, mas o acervo é bem interessante: guilhotinas, armaduras, armas, instrumentos de tortura, enfim, tem um pouco de tudo. Além disso, do alto do castelo se tem uma vista panorâmica incrível da cidade.


Patershol 

Foto: visit.gent.be

Patershol é um bairro pitoresco nos arredores do castelo. São inúmeras vielas estreitas pedonais de paralelepípedo que permanecem do mesmo jeito desde o período medieval. A área está cheia de restaurantes, cafés e lojinhas.
 

Sint-Baafskathedraal + Adoração do Cordeiro Místico 

Foto: Mylius
 


A Sint-Baafskathedraal (ou Saint Bavo's Cathedral) é uma catedral gótica que abriga a famosa obra “Adoração do Cordeiro Místico”, dos irmãos Van Eyck. Com sua torre de 89 metros de altura, a catedral é um ícone da cidade.

Vale muito a pena reservar um dia para conhecer essa charmosa cidade medieval a menos de 60 km de Bruxelas, Não perca! 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Roteiro: Luxemburgo em 1 dia

Eu (Cecilia) e a Tati fomos em épocas diferentes do ano para Luxemburgo, mas a sensação foi a mesma: que-cidade-perfeita! Parece com uma maquete (já que podemos observar a cidade baixa do alto da cidade nova). O visual medieval de lá é diferente de tudo o que você já viu ou verá na Europa. Então sim, vale a pena incluir Luxemburgo no seu roteiro!



E se o país já é um dos menores do mundo, o que dirá sua capital. Por isso, 1 dia é suficiente para conhecer bem a cidade. Mas se você tem um dia sobrando, vale ficar 2 dias e fazer um bate-volta para Trier, na Alemanha, foi o que a Tati fez.

Curiosidade: apesar do francês, alemão e luxemburguês serem as línguas oficiais do país, não estranhe quando ouvir (frequentemente) a língua portuguesa na cidade. Isso porque muitos portugueses migraram para lá na década de 1960 atrás do "sonho luxemburguês", afinal o país tem a maior renda per capita do mundo.

Vamos viajar? :)


O que fazer em Luxemburgo


Palácio Grand Ducal



É a residência oficial do Grão-Duque de Luxemburgo. Não parece tanto um palácio (fica no meio da cidade) e a troca de guarda é praticamente na calçada. A troca não é pomposa como a do Palácio de Buckingham, mas é valido dar uma olhada.


Chocolate House



A Chocolate House é parada obrigatória para quem ama chocolate quente. A variedade é infinita, tanto de leite (leite integral, leite light, leite sem lactose, leite de soja etc.) e os chocolates a serem misturados também. Eles vêm nessa pá de sorvete e você mesmo mistura no seu leite quente. Este da foto tem uma ampolinha de conhaque. Consegue imaginar a delícia disso? Aproveite que estará em frente ao Palácio e assista à troca de guarda tomando seu chocolate.


Catedral de Notre-Dame de Luxemburgo



A Catedral de Notre-Dame foi construída no século XVI. A arquitetura em pedra e seu interior atrai muitos visitantes.


Praças: Place Guillaume, Place d’Armes e Place de la Constitution 

Créditos: Place Guillaume (Cayambe), Place d’Armes (Wikipedia) e Place de la Constitution

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São 3 praças principais na cidade. A Place Guillaume é onde fica a prefeitura e o centro de informações turísticas (vale passar por lá e pegar um mapa de graça), e também é famosa por sua feira livre (às quartas-feiras e aos sábados). A Place d’Armes é uma área cheia de restaurantes e lojas, e é onde fica o Palácio Municipal da cidade. É comum ver shows ao vivo por lá, e em dezembro acontece uma feirinha de Natal incrível. A Place de la Constitution é onde fica o famoso monumento da Gëlle Fra, que simboliza a liberdade e a resistência do povo luxemburguês durante a guerra. E daqui dessa praça se tem uma vista ótima da Pont Adolphe.


Casemates de Bock e Casemates de Pétrusse



O Castelo Bock é uma grande fortaleza onde os casemates, túneis subterrâneos que escondiam soldados, cavalos e mais, ainda sobrevivem. É dado um mapinha na entrada, o que é útil pois são incontáveis corredores/túneis escavados na pedra com várias ramificações, um verdadeiro labirinto. Tem alguns corredores que chegam a ficar bem apertados e úmidos, se você for claustrofóbico lembre-se disso!  Mas a parte mais legal são os vários buracos na lateral que dão vista para o lado de fora.
Já o Casemate de Pétrusse está temporariamente fechado, mas se quando você for estiver aberto, também é válido visitar, com suas cavernas, escadarias e vistas imperdíveis. Existe tour guiado para conhecer ainda mais as histórias das conhecidas casematas.


Le Grund - Centro Histórico (Patrimônio UNESCO) 



O ruim de pessoas que não sabem ler mapa (euzinha), não diferenciam a parte baixa e a parte alta, e aí se errar um caminho você vai andar muito, subir um morro praticamente. Então, prepare seu bom humor para possíveis erros nos seus planos. E Le Grund faz parte da cidade baixa/ centro histórico. Por lá você tem acesso ao Rio Alzette e a casas construídas em pedras. Tudo com um ar extremamente pitoresco e histórico. Possui dois restaurantes com estrela Michelin e também é famoso pela vida noturna, com bares e baladas.
DICA: Existem 2 lugares, de onde é possível ter aquela vista linda das casinhas de contos de fadas do bairro de Grund (visto na primeira foto do post): da sacada de Chemin de la Corniche e do Plateau du Saint Esprit. É bem fácil de encontrar esses lugares, existem plaquinhas indicando o caminho em todo o canto.


Biblioteca Nacional de Luxemburgo
A principal biblioteca do país de Luxemburgo fica em um prédio histórico. Guarda um acervo de mais de 1 milhão de documentos.


Ponte Adolfo (Pont Adolphe)
Com certeza é uma ponte que vai te chamar atenção pela arquitetura, altura e imponência. Atravessa o Rio Pétrusse e é considerado um símbolo não-oficial da independência de Luxemburgo. Você pode ter uma vista incrível para a ponte da sacada da Place de la Constitution.


COMO CHEGAR A LUXEMBURGO
Há uma Estação Central junto ao terminal de ônibus em Luxemburgo. Saí de Bruxelas de ônibus, apesar de ter comprado passagem de trem (vai entender). Mas a viagem é curta, por volta de 3 horas de trajeto. Também é possível ir de Paris para Luxemburgo, a viagem é mais curta ainda, e leva por volta de 2h20 de trem. Chegando lá, tem um grande posto de informação ao turista e eles são muito solícitos em ajudar. Eu perguntei como poderia chegar no meu Hostel, e o atendente riscou todo o mapa pra mim, fiquei mais segura para poder chegar lá de ônibus.


ONDE SE HOSPEDAR
Fiquei no Luxembourg City Youth Hostel, que é da rede de albergues mais famosa do mundo. Este é o único hostel  da cidade e é um modelo de hospedagem. Super bem estruturado, desde os quartos ao café da manhã. Apesar de ser chamado Albergue da Juventude, você pode também encontrar muitos idosos e crianças. Isso dá uma aura familiar e gostosa ao lugar.


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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Relato de Viagem: Caminhando no Circuito Vale Europeu Catarinense

O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que fez uma caminhada de 8 dias no Circuito Vale Europeu em Santa Catarina. Esperamos que gostem deste relato!

"Já tinha visitado algumas cidades de Santa Catarina por volta do fim dos anos 90. Foram viagens a trabalho, corridas. Não dava para dizer que eu conhecia a região realmente. Mas a vontade de voltar, com calma, e conhecer melhor a região, sempre esteve presente. A oportunidade aconteceu neste início de outono e foi uma viagem memorável, que só aumentou a vontade de voltar mais 437 vezes.
Peguei um voo de São Paulo até Joinville e passei o dia na cidade, comendo salsichas, apfelstrudel e me aclimatando para a caminhada que estava por vir. Visitei o Museu do Imigrante, vi as Palmeiras Centenárias, o Museu de Arte, o Cemitério do Imigrante e no fim do dia peguei um ônibus para Indaial.
Em Indaial dormi no Hotel Fink, que é o ponto de partida para quem percorre o circuito caminhando ou de bike. É ali que você pega o passaporte que será carimbado em todas as cidades por onde passar, e onde também pega o mapa do trajeto, dicas locais e ainda pode deixar alguma bagagem para pegar no final.
Imagem: circuitovaleeuropeu.com.br

Tomei um café da manhã reforçado e conheci um casal de senhores que fazia o circuito de bike. Tinham por volta de 70 anos, e eram produtores de laranja em Curitiba. Já serviu para deixar claro que não existem desculpas se você tem o principal: vontade.

Início do trajeto




Esse primeiro dia já começaria bastante puxado andando 27 km entre as cidades. O caminho todo é sinalizado por setas brancas, para os mochileiros, e setas amarelas, para os cicloturistas, que fazem um trajeto um pouco diferente, no sentido contrário.

No começo foram uns 6 ou 7 km andando pelas ruas de paralelepípedos da cidade de Indaial, seguido por um bom trecho de estradas de terra, entre casas de campo, sítios e pequenas vilas. Ao final do trecho de terra, 4 km antes do fim do trajeto do dia, entrei no Museu da Música de Timbó. Um museu pequeno, mas com um acervo bastante interessante de instrumentos musicais, vale a visita. Como o museu já estava fechando, ainda ganhei uma carona que me poupou de ter que andar o restante do trajeto pela rodovia.

Restaurante Thapioka


A caminhada do dia termina no restaurante Thapioka. Uma bela construção que fica sobre uma pequena represa, no centro da cidade. E que também é o ponto de início da caminhada no dia seguinte.


De Timbó para Pomerode a estrada de terra já tem um aspecto mais bucólico e várias casinhas antigas, de construção de madeira e algumas enxaimel, deixam mais evidente a colonização alemã da região. São 25 km de percurso com uma bela subida de 400 m que faz o coraçãozinho bater mais forte. Tanto pelo esforço quanto pela vista lá de cima.


Alguns pontos da estrada, já na descida para Pomerode, estavam sendo aplainados por máquinas e tratores. Tudo indica que a intenção é asfaltar ali, o que vai deixar o trajeto menos bonito. Uma pena :(

No fim da tarde cheguei a pousada Blauberg. Um lugar bem aconchegante e cheio de florais pintados nos móveis. Lembra bem as pousadinhas típicas da Bavária e te faz sentir um pouco na Alemanha. O jantar também foi típico alemão. Um belo de um marreco recheado, no restaurante Wunderwald.

Casa do imigrante Carl Wegge - Pomerode



No terceiro dia, foram pouco menos de 18 km caminhando. Saindo da "cidade mais alemã do Brasil” e chegando a Rio dos Cedros, onde o sotaque mudou completamente e o sangue italiano se enturmou rapidamente.

Sr. Mattedi, dono da pousada e restaurante que fiquei, quando soube que eu queria conhecer a Igreja de Nossa Senhora das Dores, prontamente ligou para a Sra. Íris, que me esperou na porta de sua casa com a chave na Igreja na mão. E lá fui eu conhecer uma igreja de mais de 100 anos de idade, sozinho.

Vi a estátua de 141 anos de Nossa Senhora Dolorata que foi trazida da França pelos primeiros imigrantes italianos. Vi a gruta de pedra que esses imigrantes reconstruíram quando mudaram a igreja de lugar. E fiquei besta com a solidariedade, a confiança e o respeito que ainda existe nas pequenas comunidades e que são cada vez mais raros nas grandes cidades.


Depois de devolver a chave da igreja ainda passei algumas horas ouvindo as histórias dos imigrantes e dos senhores locais no restaurante. Me senti em casa ouvindo parte da história da minha família e do meu país. Para mim, é isso que vale a pena em uma viagem. Não é o souvenir ou a foto, mas a experiência que se vive.

Mas ainda havia mais por vir. No quarto dia segui para Alto Benedito. Teriam sido 23 km de caminhada, mas em algum ponto depois do quilômetro 18 km, errei o caminho e andei 6Km na direção errada, por parte do caminho do dia seguinte. Acabei pedindo uma carona em uma lojinha de roupas para voltar para a pousada.

Não tinha muito o que ver em Alto Benedito, então dormi cedo e saí cedo para Doutor Pedrinho. Foram 26 km por uma estrada bem rural, passando por pequenas vilas e sítios, uma fábrica de queijos e igrejinhas. Em uma delas estava tendo um festival de costelas, e parecia que toda a cidade estava lá. Uma festa!


No sexto dia, outro engano. Foram 22 km debaixo de chuva e ainda teriam mais 8 km e um desnível de 800 m para chegar até o Campo do Zinco. Parei para comer um lanche em um ponto de ônibus em uma bifurcação. Os dois lados da bifurcação tinham setas brancas, e na dúvida, optei pelo lado que subia (se estivesse errado, seria mais fácil voltar descendo do que voltar subindo). E estava errado: 3 km a mais andando na chuva…


Por sorte, já de volta ao caminho certo, passaram a Margarethe e o Egon, proprietários da pousada do Campo do Zinco levando as malas e depois voltando para dar uma carona no trecho mais íngreme. Ainda prepararam um chá quente na chegada e uma sopa depois do banho.

Foto: Egon Koprowski


O Zinco é um trecho opcional para quem faz o circuito de bike. Mas para mim deveria ser obrigatório! É o lugar mais bonito de toda a região, e a pousada de lá é a mais acolhedora.

Antes de partirmos no dia seguinte, o Egon e a Margarethe ainda nos levaram para conhecer o mirante da Cachoeira do Zinco e nos dar um abraço de despedida.



Do Zinco até a bifurcação e depois até a cidade de Rodeio, foram 20 km de descida forte. Os joelhos gritavam alto, mas a paisagem distraía bem. Havia muitos jardins que provavelmente estarão bem floridos na primavera.

Na cidade de Rodeio, jantei no restaurante Caminetto e experimentei um excelente penne ao funghi. O restaurante não aceita cartões, mas o mais interessante é que aceita de boa fé que os clientes pegos de surpresa depositem o pagamento na conta depois. E segundo o garçom, nunca tomaram calote.

No oitavo dia, foram menos de 20 km por uma estrada de terra que acompanhava o rio de um lado e plantações de uvas do outro, de Rodeio a Apiúna, passando por Ascurra. Um trecho praticamente plano que foi bem agradável de caminhar e tirar fotos.


O circuito ainda prevê um nono dia: de Apiúna de volta até Indaial. Mas decidi terminar a caminhada aqui e seguir de ônibus de volta ao Hotel Fink.

O circuito é o resultado do esforço de pessoas como o Egon e a Margarethe, do Sr. Mattedi, da Dona Hilda, em Doutor Pedrinho, e de várias outras pessoas em promover o turismo na região. De conservar a cultura dos imigrantes, de cuidar e proteger a natureza e de difundir valores como respeito, honestidade, solidariedade, que me pareceram tão naturais no pensamento e tão simples nas atitudes dessas pessoas, e que estão cada dia mais raros por aí.

Além dos roteiros de cicloturismo e caminhada, existem outras rotas que podem ser do seu interesse para conhecer a região. Dá uma olhada que vale a pena. "
Saiba mais em circuitovaleeuropeu.com.br


James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar para onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Roteiro: o que fazer em Trier (Alemanha)


Você provavelmente nunca tenha ouvido falar de Trier, mas a cidade é um destino turístico bem conhecido entre os europeus. É conhecida por ser a cidade natal de Karl Marx, mas ainda mais por ser a cidade mais antiga da Alemanha. Ela foi fundada pelos romanos por volta de 15 a.C., e hoje em dia possui vários monumentos do período romano que são considerados Patrimônios Mundiais da Unesco. É uma mistura do romano com o tradicional alemão no mesmo lugar. Eu passei pela cidade fazendo um bate-volta saindo de Luxemburgo e fiquei encantada com a cidade, vale a pena conferir!


COMO CHEGAR
O jeito mais fácil de se chegar em Trier é indo de trem. As cidades conhecidas mais próximas são Luxemburgo, Köln (Colônia) e Frankfurt. Os trens partem de 1 em 1 hora de todas as três cidades. O trajeto leva 3h30 saindo de Frankfurt e 2h40 saindo de Köln. Nesses casos vale ficar mais um dia na cidade além do dia da chegada. Já saindo de Luxemburgo, o trajeto leva apenas 55 minutos, então é possível fazer um bate-volta sem precisar pernoitar em Trier.


O QUE FAZER
Em 1 dia dá pra conhecer todos os principais pontos turísticos da cidade. A maioria das atrações turísticas ficam próximas da estação de trem, e até as que estão mais distantes, não ficam tão longe assim. Então dá pra fazer quase tudo andando.

AVISO: são TANTOS lugares que são Patrimônios da Unesco em Trier, que ficaria meio repetitivo ficar avisando isso no texto toda hora, não é? Então tudo o que for Patrimônio Mundial da Unesco, terá um  U  de Unesco ao lado do título para indicar isso.

Porta Nigra   U 


O Porta Nigra é o cartão-postal de Trier. Foi construído pelos romanos no ano de 180 d.C. para ser a entrada da cidade. Inicialmente eram 4 portões cercando a cidade, mas somente o Porta Nigra permaneceu conservado até hoje.

Dreikönigenhaus

A Dreikönigenhaus é uma casa icônica da cidade que foi construída em 1230, quando o muro de proteção de Trier ainda não estava pronto. Na época, cada casa tinha que se proteger sozinha de ataques, então a porta de entrada da casa era aquela “janela” maior a direita, acessível somente usando uma escada. Tudo para dificultar a invasão. No local hoje, funciona um café.

Hauptmarkt 

A pracinha central (Hauptmarkt) fica rodeada por prédios lindos! Todos muito bem conservados e de diferentes épocas da história. O destaque é para o Steipe (prédio branco da foto da direita), que era a antiga sala de banquetes da câmara municipal. Foi construido em 1483 e tinha funções cerimoniais.

Trierer Dom, Liebfrauenkirche e Konstantin-Basilika   U 

Fotos: Elton Dias (esquerda) e Heinz L.Boerder (direita)

Aqui são 3 construções religiosas Patrimônios da Unesco numa mesma área. A Trierer Dom (Catedral de Trier) é a igreja mais antiga da Alemanha, o complexo do qual ela faz parte é datado do século 4. Já a Liebfrauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) é a igreja gótica mais antiga da Alemanha, construída no século 13. A catedral e a igreja ficam grudadas, uma do lado da outra. E a 200m de distancia das duas, fica a Konstantin-Basilika (Basílica de Constantino). Datada do ano de 310 d. C., é a maior estrutura única preservada que existe da época do império romano. Era a sala do trono do imperador Constantino, e hoje abriga uma igreja protestante.

Römerbrücke   U 


É a ponte mais antiga da Alemanha, sua construção é datada no ano de 144 a 152. Pra falar a verdade, ela não super bonita, achei bem mais ou menos. Mas vale passar por aqui simplesmente pelo seu contexto histórico.

Karl-Marx-Haus


A casa onde Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818 é aberta à visitação. Hoje abriga um museu que guarda a sua biografia desde seu nascimento, passando por seus estudos e influências.

Barbarathermen   U 

Esse local era um banho romano enorme construído no século 2. Achei essa ruína um pouco sem graça. Tem pouca coisa pra se ver, pois o local não está muito conservado. Mas a entrada é gratuita, então por que não?

Kaiserthermen   U 


Existe mais um banho romano na cidade. O Kaiserthermen é um maiores do mundo, o tamanho é realmente impressionante. Infelizmente estava fechado para visitação quando eu fui, parecia estar em reforma, mas mesmo do lado de fora dá pra ver a grandiosidade da construção.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Casas-Museus de Personalidades Históricas ao Redor do Mundo

Não é raro viajar e encontrar casas de personalidades históricas, bem preservadas e abertas à visitação. Essas residências (ou parte delas) viram museus que contam a história da persona e o tempo que viveu naquele local.

Fizemos uma lista com 12 casas que você pode visitar. Com certeza vai incrementar seu passeio e deixar mais pesadinha sua bagagem cultural. Vamos ver? :)


1. Sherlock Holmes - Londres, Inglaterra


Este é um caso especial onde o personagem é tão marcante, que saiu dos livros e virou uma personalidade viva da cidade. Sherlock Holmes, apesar de estar só na ficção, tem endereço físico: a famosa (por ele) Baker Street 221b.
O detetive e seu fiel escudeiro, Dr. Watson, viveram neste lugar entre 1881 e 1904, segundo as histórias escritas por Conan Doyle. Na parte de dentro da casa há uma exposição com objetos e personagens dos livros e ainda dá pra tirar foto nas cadeiras do Sherlock e do Watson, com direito a chapeuzinho, lupa e cachimbo! O ingresso para entrar na casa/museu custa £10, e é vendido na lojinha do museu.
Aproveite o passeio pela Baker Street e visite o metrô com o mesmo nome. Lá você verá a famosa imagem do perfil de Sherlock Holmes pelas sinalizações. Além disso, visite também a estátua em homenagem ao personagem, logo na saída do metrô. O monumento fica na Marylebone Road, London NW1 5LA.
Endereço: 221b Baker St, London NW1 6XE.


2. Anne Frank - Amsterdam, Holanda

Foto: Dietmar Rabich

O sótão onde Anne Frank viveu seus últimos anos com sua família, emprestada por uma senhora solidária aos judeus, é aberto à visitação. São escadas estreitas e espaços pequenos para uma família (e outras pessoas) que viveu trancafiada. O sótão é preservado, com seus papéis de parede e fotos recortadas de artistas, coladas pela própria Anne. Ao fim da visita há uma grande exposição que fala sobre o nazismo e uma exibição de um famoso depoimento em vídeo do pai da menina, o único daquela família que foi sobrevivente do Holocausto. Prepare-se para fortes emoções e uma experiência definitivamente inesquecível.
Endereço:Prinsengracht 263-267, 1016 GV Amsterdam


3. Goethe Haus - Frankfurt, Alemanha

Foto (direita): Mylius






Assim como Anne Frank, Johann Wolfgang von Goethe era nascido em Frankfurt. Neste caso, a residência aberta à visitação fica na sua cidade natal. Goethe foi um filósofo e escritor alemão e sua memória está preservada nesta incrível casa de quatro andares, reconstruída fielmente à original, destruída na Segunda Guerra Mundial. Antes que a derrubassem, todos seus móveis e obras de arte foram escondidos em locais seguros e agora são reexibidos neste museu
Endereço: Grosser Hirschgraben 23 - 25, 60311 Frankfurt.
 

4. Karl Marx - Trier, Alemanha


Você pode visitar a casa de um dos maiores pensadores do século XIX e considerado o pai do socialismo, Karl Marx. Em Trier, a cidade mais antiga da Alemanha, esta casa que agora é um museu, guarda a biografia desde seu nascimento, passando por seus estudos e influências.
Endereço: Bruckenstrasse 10, Trier.
 

5. Kafka - Praga, República Checa


A casa em que Franz Kafka nasceu é agora um museu com fotografias do escritor de Metamorfose, de sua família e da Praga do começo do século passado.
Endereço: Franze Kafky Námestí, 5 (ao lado da Igreja de São Nicolau da Cidade Velha).


6. Shakespeare - Stratford-upon-Avon - Inglaterra

Foto: David Iliff



O mais famoso dramaturgo e poeta da história inglesa é homenageado na casa que nasceu. O filho mais nobre de Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, viveu nesta residência onde estão preservados os cômodos como o quarto que Shakespeare nasceu, o jardim entre outros lugares marcantes.
Endereço: Henley Street.


7. Beethoven - Bonn, Alemanha

Dica imperdível para quem gosta de música e admira a música clássica em particular. Beethoven nasceu e cresceu em Bonn, na Alemanha. Ele nasceu em um dos cômodos dessa casa aberta a visitação. A casa guarda sua história desde o nascimento, assim como mostra os ambientes de convivência de sua família. Caminhe com o auxílio do audio guide e descubra a história de cada local e objeto da casa, como seus instrumentos musicais.
Endereço: Bonngasse, 20, 53111, Bonn.


8. Frida Kahlo - Cidade do México, México

Foto (direita): Nachtwächter




A famosa Casa Azul, é a casa onde Frida Kahlo nasceu, viveu e morreu. Foi construída pelo seu pai Guillermo três anos antes do seu nascimento. Atualmente abriga um museu que recebe 25 mil visitantes por mês.
Endereço: Londres, 247, Ciudad de México.


9. Elvis - Tupelo e Memphis, Estados Unidos

Fotos: Markuskun e Joseph Novak



A lenda diz que Elvis não morreu. Mas podemos garantir que o que não morreu foi sua memória ao redor do mundo e principalmente na cidade de Memphis, em Tennessee, onde está conservada sua última residência, conhecidade por Graceland.
Bem mais humilde mas não menos importante, está a casa onde nasceu e cresceu, na pequena Tupelo, Mississippi. Lá também é uma casa-museu, aberta à visitação.
Endereço Graceland: 3764 Elvis Presley Boulevard, Memphis.
Endereço Tupelo: 306 Elvis Presley Dr, Tupelo Mississippi.


10. Jimi Hendrix e Händel - Londres, Inglaterra

Foto: David Holt



"Separadas por uma parede e 200 anos estão as casas de dois músicos que escolheram Londres e mudaram a história da música".
Jimi Hendrix, o maior guitarrista da história morou neste flat nos anos 1960 anos. O flat está conservado e traz toda aquela aura Woodstock e peace and love que Jimi viveu e ajudou a influenciar o mundo. Coincidência (ou não), o compositor alemão Hängel também morou no mesmo prédio. Os dois flats estão abertos à visitação.
Endereços: 23 Brook Street (Hendrix) e 25 Brook Street (Hängel)


11. Mozart - Salzburg, Alemanha


A casa amarela onde nasceu Wolfgang Mozart, guarda em sua estrutura preservada, objetos da família do compositor. Um objeto em particular chama a atenção os visitantes: o famoso clavicórdio que foi usado inúmeras vezes em concertos pelo músico. 
Endereço: Getreidegasse 9, 5020, Salzburg.


12. Pablo Neruda - Santiago, Isla Negra e Valparaíso


Pablo Neruda, o poeta apaixonado de Cem Sonetos de Amor, também amava construir casas. Natural do Chile, foi em sua terra natal que levantou três residências muito particulares.
La Chascona, em Santiago (próxima ao bairro Bellavista), fora construída em homenagem ao seu último amor, Matilde; La Sebastiana, em Valparaiso, com uma linda vista para o Oceano Pacífico. A casa tem o formato peculiar de um barco; Isla Negra, que fica numa vila de pescadores homônima. Lá é onde descansa seus restos mortais.
Endereço La Chascona: Fernando Márquez de la Plata, 192, Santiago.
Endereço La Sebastiana: Ferrari 692, Valparaíso.
Endereço Isla Negra: Poeta Neruda s/n, Isla Negra,

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Fim de Semana no Parque Nacional de Itatiaia - RJ

O post de hoje é uma colaboração do nosso amigo James Vaccari, que viajou para Itatiaia - RJ. Esperamos que gostem deste relato!

Conheci o Parque Nacional de Itatiaia em 2006 durante um curso de montanhismo.
Foi o primeiro parque "Parque Nacional", decretado pelo ex-presidente Getúlio Vargas, em 14 de junho de 1937.
Fica mais ou menos entre Itatiaia e Resende, no Rio de Janeiro e Itamontes, em Minas Gerais. O parque é dividido em parte alta, preferida por quem vai escalar ou caminhar; e parte baixa, que tem um centro de visitantes mais aparelhado, cachoeiras, área para piquenique, etc. Desta vez, escolhemos a parte alta.

Saímos de São Paulo em uma sexta à noite, em meados de setembro do ano passado, e percorremos os 274 km de distância até o parque para passarmos o fim de semana caminhando pela parte alta. O parque tem horários de entrada e saída diferentes na parte alta e baixa, e que podem variar conforme a atividade proposta. Algumas trilhas tem horário máximo de entrada e horário máximo de retorno (veja mais informações no site do ICMBio). É um controle que pode vir a ser útil, por questões de segurança. Caso você tenha problemas e não volte no horário, os guardas do parque são acionados para busca.

A parte alta do parque disponibiliza um abrigo para pernoite, o Abrigo Rebouças, ou área de camping. Não tem banho quente e calefação (estes recursos estavam em manutenção quando fomos em setembro), mas é um hotel “milhões de estrelas”. Esteve um tempo sem sistema de reservas, porém agora (maio de 2016) já está recebendo reservas novamente.

Abrigo Rebouças

Chegamos de madrugada ao Hostel Picus, onde o Felipe, proprietário e guia da região, nos recebeu com toda hospitalidade e simpatia apesar do horário avançado. O Picus fica a 5 km da estrada para a portaria da parte alta do parque, e é uma opção econômica na região.

No sábado fomos para o parque, onde a ideia era fazer uma caminhada leve até a Pedra do Altar, voltar à portaria e pegar outra trilha até o Morro do Couto. Mas, como dormimos um pouco além do planejado, o guarda nos informou que se não voltássemos até às 14h do Altar, não seria possível seguir para o Couto.

Resolvemos tentar, mas sem pressa, porque a ideia era uma caminhada mais contemplativa, tirar fotos, deixar o ritmo da natureza nos guiar. E a natureza com seu próprio tempo, nos apresentou o sapo-flamenguinho, símbolo do parque, algumas vezes (o que nos fazia queimar alguns megas de fotos e algum tempo esperando pelos sapos fazerem as poses mais expressivas).

A natureza também nos apresentou diversos pássaros, fazendo jus à fama de importante local para observação de aves.

Ainda em estado de contemplação, avistamos o Pico das Agulhas Negras, a montanha mais alta do Rio de Janeiro, e a quinta mais alta do Brasil, com seus 2791 metros de altitude. Impossível não parar para apreciar a vista a cada metro.

Agulhas Negras


Já havia subido algumas vezes o Agulhas, mas nunca tinha feito a trilha da Pedra do Altar.
Nesta trilha, provavelmente, é a melhor vista que se pode ter do Agulhas Negras.
A caminhada pela trilha é fácil, a elevação não é abrupta, e apesar de atingir 2665 metros no topo, é bem tranquila.

Pedra do Altar


No topo comemos um lanche, papeamos, nos parabenizamos, descansamos, e entre uma foto e outra avistei um lobo-guará na trilha abaixo! Mesmo de longe, é o tipo de coisa que arrepia os pelos da nuca, e um prêmio, porque é um animal em extinção e é o mais típico do cerrado. É um sentimento difícil de descrever avistar um animal desses na natureza, sem uma grade em volta e curtindo a vida. Um misto de respeito e admiração, pelo menos pra mim.

O lobo


Voltei satisfeito, mas tivemos que mudar os planos. Já passava das 14h e não seria possível seguir até o Morro do Couto. Então descemos até a Cachoeira da Flores, passando pelo Abrigo Rebouças, em direção ao Maciço das Prateleiras (2539 metros).

Passamos os restante da tarde na cachoeira, descansando. E saímos do parque às 17h, que é o horário de fechamento e saída das trilhas.



No dia seguinte voltamos e fizemos a trilha do Morro do Couto. Duas horas de subida, um pouco mais íngreme, começando logo após a portaria do parque e passando pela antena que dá pra ver dali. Depois de chegar à antena, o caminho fica um pouco mais confuso, passando por alguns trepa pedras (cordas estrategicamente colocadas para escalar pedras), o que exige um pouco mais de atenção para encontrar o caminho. Essa trilha foi recentemente estendida até o Maciço das Prateleiras e chegando cedo, dá para concluir.

Maciço das Prateleiras


Logo depois do almoço começou a ventar mais forte, chuviscar, e baixou um nevoeiro de filme de terror, para nos lembrar que a natureza também tem aquela hora que não quer mais saber de visitas.

Nos despedimos, agradecemos, voltamos com o espírito renovado e a promessa de voltar em breve.


James Vaccari é diretor de arte e designer enquanto não viaja. Quando está viajando se mete a fotografar o que vê e a desenhar uma coisa ou outra. Prefere viajar pra onde as pessoas normais se preocupariam com banho e banheiro, e gosta de andar muito. Também é instrutor de montanhismo e escalada.


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